segunda-feira, 18 de maio de 2009

Divagando na solidão

Passaram 3 dias depois da mudança... felizmente deixaste-me passar contigo o fim de semana, o que me permitiu preparar-me (ou tentar) psicologicamente... mas mesmo assim.... esta a ser super complicado para mim... doí imenso... sinto-me frustrado... sinto que falhei... sinto que desisti de um sonho sem sequer lutar por ele... sinto que não é solução, sinto que não vai trazer nada de novo ao nosso namoro... Dizes que tentaste ... que não te habituas-te... ok... aceito... tenho de aceitar... mas ... não nego que nem deste tempo pra habituar-te... nem a ti... nem a mim... Sei que sou inseguro, tu também o és... e eu se calhar de uma forma errada tentei passar-te segurança, mimando-te, fazendo-te as vontades, tentando dar o máximo de mim para que te sentisses bem... errei... acabei por te sufocar... cortar-te o espaço, depois fomos abalados por todos os problemas que já vivemos, muitos originados pela tua forma... estranha... de pensar... é natural que a minha segurança tenha sido abalada e isso reflectiu-se nas semanas seguintes... problemas... discussões... recordo as palavras da carta... "quando vires que estou a sair dos eixos lembra-me disto que estamos a passar"... eu tentei... novamente de uma forma errónea... e tu afastaste-te... tu ficaste cada vez mais triste... mais longe... em vez de lutar... baixaste os braços e deixaste-te levar ao sabor dos tempos... ver o que dava era o lema... o nosso lema... apontavas-me algo errado... tentava mudar, controlava-me, engolia o meu orgulho, a minha ansiedade e sorria, para que as coisas voltassem aos eixos... novamente não surgiu o efeito desejado... apenas mais longe e afastado... Sim a ideia foi minha de mudar de casa... e já na altura sabia que o que estava a "oferecer" me ia custar imenso... Na sexta chorei cada vez que tirava uma peça de roupa... cada vez que arrumava uma peça... as lágrimas caiam descontroladas pela minha cara... não dava para parar... cada peça na Mao... uma lembrança... o arranjar do armário para ficar tudo arrumadinho... as nossas noites, em que te enrroscavas a mim a procura de mimos, o teu sorriso por ter ido viver contigo após diversos pedidos... Só me perguntava... "onde errei?"... e a essa resposta, não tive resposta. Acho que errei na abordagem, querias que eu saísse, não sai, querias estar sozinho, não te deixava... mas também nunca entendeste que não conhecia ninguém aqui... que precisava de tempo para ganhar novas amizades, para criar uma estrutura social que me permitisse não depender apenas de ti e dos amigos em "comum"... mas nunca em 2 meses... nunca em apenas 60 dias, em que na maior parte, sentia que era em casa que deveria estar para tentar resolver os nossos problemas... e tentar lutar para ser feliz... se nada valeu deixar-te mais a parte... não me colar a ti... deixar-te no teu mundo e não te perguntar nada... de nada valeu o esforço... porque tu também não querias, querias que eu saísse para eventualmente abordares o assunto de outra forma. Não acredito que viver separados seja a solução prós nossos problemas... talvez prós teus até pode ser, para mim é que nunca será, afinal eu penso como o resto do mundo, um namoro é uma relação onde há entrega, sacrifício, atenção (muita ou pouca), onde se procura gastar a maioria do tempo livre com a pessoa que amamos, onde planeamos coisas juntos, onde o grande "dia" da semana é aquele onde estamos cara a cara com possibilidade de dizer "eu amo-te"... e claro, o apogeu da relação é partilhar a nossa vida ao lado de quem amamos...
É um facto... fomos depressa demais, apressamos as coisas de uma forma assombrosa... mas depois de viver, depois de conviver, não seria importante dar o MÁXIMO, para que resultasse? Não só pelos pedidos, não só pela minha mudança, mas porque no fim de contas... FOMOS FELIZES...
Eu ate consigo entender o que procuras... a liberdade que tinhas antes... o poder fazer isto ou aquilo... o poder ir ali ou além sem disseres nada... só que a questão, que importa salientar, é que ainda namoramos... e por muito que te custe, há determinadas coisas que não podes fazer como fazias quando eras solteiro... há que manter o respeito, a confiança... se eu não consegui recuperar a confiança toda em ti, vendo-te diariamente... dificilmente a recuperarei vendo-te de 5 em 5 dias... e sabendo que te sentes "mais livre"... Acho que o que procuras não é o teu espaço, mas aquilo que eras a 6 meses atrás... aquela liberdade que de alguma forma se perde, porque eu também a perdi... mas perdi-a por vontade própria, porque encarei que era um "sacrifício" necessário para quem assume um namor, um compromisso que desde o início te disse que não era uma brincadeira.
Não tenho vergonha em afirmar o que sinto, e em dizer que chorei todos os dias desde sexta... chorei porque sinto falta do que tive... chorei porque o sonho terminou sem eu querer que terminasse, chorei desisti de algo que me fez largar tudo e vir para ca... chorei porque embarquei nesta aventura de unhas e dentes... chorei porque fui feliz e acreditava que voltaria a se-lo... chorei e chorarei.... porque sinto que uma parte de mim morreu... porque sinto que me faz falta algo que já tive e me preencheu o peito e agora... apenas sinto o vazio e a solidão...
Acho-te muito imaturo... penso que tens muito que "apreender" ainda... a partilhar... a pensar em "nos" e não em "ti" e só em ti... acho que tens de aprender a dar o braço a torçer e sobre tudo... acho que tens de deixar de esperar que as coisas te aparecam a porta e lutar por elas... ganhar coragem e arregaçar as mangas...
Eu amo-te... e só espero que tenha tempo para ver essas mudanças em ti... era esse o combinado eu saia... e passavamos a ver-nos aos fins de semana... tendo em conta que terás de sacrificar muita coisa... ginásios... saidas... fins de semana... etc... Será que vais conseguir? Eu espero e quero acreditar que sim... pois neste momento em que eu... estou em queda, preciso de uma "rápida" mudança tua, para pelo menos sentir que este sofrimento... não foi em vão...

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