Decidi escrever só hoje... porque para mim passou a ter mais importância olhar-te nos olhos... ver as tuas reacções e as tuas atitudes, perante as descobertas que encontrei sobre nós... não queria deixar de o fazer porque acho que é importante escrever aqui o que realmente me vai na alma... e escrever algo diferente de tudo aquilo que escrevi anteriormente...
No domingo... terminei... como te disse, não o queria fazer, mas via em ti um enorme sofrimento e uma descrença enorme em que as coisas mudassem... quando cheguei a casa sentei-me... chorei... senti a dor... a perda de alguém com quem vivi momentos únicos, momentos de alegria e felicidade extremas... e que me fizeram amar-te da forma como te amo...
Nesse mesmo dia... ao tentar confortar-me, um amigo meu aliciou-me para fazer uma "auto-analise" a nossa relação... descobrir o que falhou para não ter dado certo... eu (cego) referi logo... "o que falhou ou destruiu isto, foi a mentira dele"... e sensatamente ele referiu "não... para isso acontecer já algo corria mal"... No dia não liguei, apenas senti a dor... o sofrimento... e tentar recompor-me para o dia de trabalho que se avizinhava.
Na segunda... não consegui deixar de pensar em ti... o que farias? por onde andarias? será que sentias a minha falta? mas principalmente... sentia bem dentro de mim que aquela confusão dentro de mim, sobre os meus sentimentos por ti tinham-se dissipado... assumia de coração aberto que te amava... que te amava com todas as forças do meu ser... e a falta que me fazes é... tremenda... e me atormenta todos os dias...
Na volta para casa... novamente a pensar... tive uma "paragem" ... foi como se visse a relação ao estilo "filme" onde eu era um mero espectador... e o que descobri... foi assustador... e penoso... descobri realmente o que falhou... vi-o a minha frente... estive na situação e em vez de resolve-lo... apenas acabei por complica-lo mais...
Muitas vezes me perguntei onde estava a diferença do "nós" quando estava em Aveiro e do "nós" quando me mudei para cá... e na segunda vi onde esta a diferença... e assumo... a diferença esta em mim. Sabia que tinhas problemas de auto-estima e confiança... o que pensei? "vou enche-lo de mimos e de atenção para que ele se sinta mais confiança e se vá abrindo comigo"... errado... não tinha de ter pensado nisso... acabei por perder o meu "eu"... e passar a viver uma vida dedicada a ti... como se ... da tua sombra se tratasse... deixei de ter vontade própria... de fazer o que eu realmente gostava de fazer... apenas porque achei que era a melhor postura a tomar para alcançar a tua confiança... e não entendi... que foi isso que um dia te apaixonou em mim... a minha vida... a minha forma de ser... autónoma... que sempre disse "não perder por relação alguma" e eu próprio abri mão dela... Muitas vezes me avisas-te "sai... tu gostas de sair... sai... diverte-te"... fiz o contrário... não sai... proibi-me de sair sem ti... e não entendia que TU precisavas do teu espaço... dos teus momentos de "solidão" para pensar, reflectir, meditar... dizia que eu tinha sido capaz de ter isso tudo... e não entendi que tu não... pela diferença de vida que temos... eu acabava por estar "presente" nos únicos momentos em que tu podias estar sozinho... quantas saídas recusei, quantos cafés neguei por pensar "ele vai ficar chateado... ou vou magoa-lo"... e não vi que era uma forma "muda" de me pedires algum espaço... algum tempo para ti... em vez de ouvir-te... escutei e decidi por ti... o que ganhei com isso? Sufoquei te... de tal forma que pro fim, quase não nos podíamos ver... Aconteceu a "mentira" que a mim me abalou bastante... embora entenda (agora) o porque de o teres continuo a pensar que a mentira não é a melhor forma de solucionar os problemas numa relação... mas esse acontecimento, mexeu muito comigo... abalou a minha confiança em ti (confiança que era quase cega antes de isso se suceder)... e embora não tenha sido o momento de "ruptura" da nossa relação... foi um momento importante... e porque? Porque voltei a errar... tu escreveste-me a carta... a pedir uma oportunidade... que lutasse... que ia ser difícil mas que juntos seriamos capazes de ultrapassar isso... mas nem tu nem eu imaginávamos que ia ser tão difícil... e porque? Porque me descontrolei... após a mentira... perdi o controlo... passei a "controlar-te" e sobretudo... estabeleci uma meta para ti... "eu quero que mudes nisto, nisto e naquilo"... e fiquei de tal forma cego... que deixei de ver... para apenas olhar... não consegui ver o que me davas... não consegui ver as tuas mudanças... por muito pequenas ou grandes que fossem... como não tinhas alcançado a "meta" que EU tinha traçado para ti... não ficava satisfeito... deixei de viver o "hoje" para viver em prol do que TU tinhas de fazer para me provar... deixei de te sentir... de ver a verdade... e agora sim vejo-a... vejo que tentas-te... vejo que me deste algumas coisas... que me deste atenção e importância... seja muito ou pouca... não a vou quantificar... mas assumo que deste... vejo que lutaste... vejo que tentas-te mudar... e a minha única reacção... foi julgar-te... custa-me conter as lágrimas ao escrever isto... mas é a verdade e sinto que a tenho de dizer... julguei-te constantemente... davas um dedo... eu exigia a mão... sem sequer perceber que me estavas a dar, que estavas a tentar, que estavas a mudar... não me davas o "braço"... eu discutia... reclamava... queixava-me... julgava-te... massacrava-te... sufocava-te... até a exaustão... até ao ponto de não conseguirmos falar... dialogar... olhar um para o outro... até esta fim... que era tudo aquilo que EU NÃO QUERIA...
Tantas vezes te julguei... tantas vezes te chamei infantil.... imaturo... egoísta... acomodado... e agora honestamente... percebo que não fui melhor em nada... fui infantil porque me deixei levar pela ansiedade... e porque te assumi como um "brinquedo" meu... que tinha de agir as minhas ordens... fui imaturo porque não tive a racionalidade suficiente para parar... para mudar antes que fosse tarde... fui egoísta porque não te ouvi... não te vi... não te entendi... apenas agindo em conformidade com aquilo que EU tinha traçado... nem tentei entender a tua parte... tinha de ser assim porque tu tinhas errado e tinhas de me compensar... fui acomodado, porque me deixei ficar a maioria das vezes numa "ideia" minha sem parar para sentir que o mundo continuava a girar e que nós continuávamos a viver...
É com um enorme pesar... que hoje bato no peito... assumo a minha culpa "mea culpa... mea culpa"... e com um sofrimento atroz... por sentir que perdi... por minha inteira culpa, a pessoa que MAIS AMO NESTE MUNDO.
Recordo que alguns dos meus post te deixaram feliz e cheio de felicidade porque transmitia o que sentia... e gostaria imenso de voltar a escrever algo do género no futuro...
Neste momento... não me sinto sequer capaz de pedir-te nada... não me sinto capaz de pedir que voltes... porque sinto que o mal que te causei, deixou em ti um sofrimento enorme... atroz... que te escureceu o coração... e te afastou de mim...
Todos os dias peço a Deus... uma oportunidade... peço a Deus que me dê a hipótese de mostrar que realmente agora que vi a verdade... posso voltar a amar-te sem anseios... sem pressas... apenas fazendo aquilo que assumi fazer a quase 7 meses atrás... viver um dia de cada vez... não o faço por ti... mas sim por mim... mas sim... gostava de o fazer na tua companhia...
Sei e sinto que possivelmente estas palavras não passam de "palavras lançadas ao vento" e que na primeira ocasião... voltaríamos ao mesmo... não sei qual o valor da minha palavra neste momento... tantas vezes falei... que agora sinto que nem devo falar... mas sim agir... já falei demais e não mudei nada, já discuti demais... e nem sequer me ouvi... já massacrei demais com palavras e discussões e neste momento... essa não é a saída...
Sei que ainda me amas... pois ainda o vejo nos teus olhos... neste momento, esse amor... é o que menos pesa, nesta minha "luta".. porque foi com ele que também sofreste... mas também sei que foi com esse amor... que partilhamos diversos momentos de felicidade... de alegria... de amor e paixão e é por eles que peço que me ouças... que peço uma oportunidade de mostrar que o "eu" e o "tu" podem co-existir com o "nós"...
Apenas consigo terminar com um agradecimento por tudo o que me destes... por tudo o que foste ao meu lado... e peço-te desculpa por tudo aquilo que eu não consegui ver...
Amo-te peluxinho... ainda acredito que pode ser diferente... e que possamos repetir tudo aquilo que de bom vivemos... basta queres, acreditar, tentar e lutar... e tu sabes que quando queres... tu consegues...
És e serás o meu orgulho e o meu grande amor...
AMO-TE PELUXINHO...
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